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Nenhuma dúvida poderia ser mais natural em um país que tem quase um terço de sua população - 58 milhões de pessoas - com dinheiro depositado na poupança. E que há 40 anos recebe informações sobre este tipo de investimento, criado em 1964 e até hoje considerado o mais acessível e conservador de todos.
De uma forma geral, os especialistas em finanças desaconselham as aplicações em poupança. Na comparação com previdência privada, dão enfática preferência a essa última, usando como argumento a significativa diferença na rentabilidade de uma e outra. No ano passado, por exemplo, os planos de previdência com carteira totalmente aplicada em renda fixa renderam entre 23% e 24%, mais do que o dobro dos ganhos apurados pela caderneta de poupança (11,10%). Em 2002, a distância foi mais ou menos a mesma: 9,14% para a poupança e entre 17% e 18% para previdência privada.
- A longo prazo, a diferença de rentabilidade é brutal - afirma o gerente comercial da Mony Consultoria, Marcio Algranti.
Ele observa que, nos planos de previdência, existe a possibilidade de se escolher entre diversos perfis de fundos - desde os que aplicam 100% dos recursos em renda fixa aos que destinam até 49% da carteira a investimentos em renda variável.
- Na previdência privada existem muito mais possibilidades de se acumular recursos - destaca Algranti.
O consultor de finanças Fabio Colombo também é categórico:
- A poupança é sempre a pior opção e não é recomendável - diz.
Embora preferível em termos de rentabilidade, a previdência pode sair em desvantagem quando são comparados outros aspectos. Por mais transparentes que sejam as seguradoras e por mais rigoroso que seja o trabalho de fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o participante de um fundo de previdência corre o risco de perder todo o seu dinheiro caso a instituição em que aplique os seus recursos vá à falência.
Já na poupança o governo assegura o recebimento de até R$ 20 mil, pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instituído em 1995 pela Resolução 2.211 do Conselho Monetário Nacional.
- Na previdência privada tem que confiar na instituição. Não existe garantia. O que existe é um mercado regulamentado - comenta Algranti.
Outros pontos que podem contar a favor da poupança são a ausência de taxas de administração e carregamento, inexistência de carência, isenção de Imposto de Renda e um valor mínimo muito menor exigido para iniciar o investimento - no geral, a partir de R$ 10, contra de R$ 25 a R$ 100 dos planos de previdência.
Essas características levam o coordenador do MBA em finanças do Ibmec, Roberto Zentgraf, a considerar que, para as pessoas de mais baixa renda, a poupança é mais indicada do que a previdência privada. Para elas, diz, não é aconselhável entrar em um plano de investimento cujo propósito é o de manter o dinheiro aplicado por um longo período. Além disso, para quem tem um salário inferior ao do teto da aposentadoria pago pelo INSS (R$ 2,4 mil) não faz sentido aderir a um plano de previdência complementar, pois os benefícios do sistema do governo já podem garantir a manutenção do padrão de vida.
Diogo de Hollanda - Especial para Globo Online - 29/11/2004
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