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São Paulo, Wednesday, 27 de August de 2008



Proposta para o novo mercado de seguros de carros  

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Para quê serve o seguro obrigatório de veículos, o DPVAT? Pouca gente sabe a razão de ser do seguro obrigatório. Apenas pensa, com razão, que não passa de mais um "imposto" cobrado pelo governo que não serve para mais nada a não ser engordar cofres públicos e privados. Sim, porque do jeito que ele está estruturado hoje, não atende às expectativas da população (que aliás, mal o conhece) dentro da sua finalidade. Então, primeiro é preciso esclarecer duas coisas:

1) DPVAT não é imposto, é um seguro;

2) é um seguro de Responsabilidade Civil (RC) para terceiros, não para o proprietário do veículo.

Ele serve para indenizar as vítimas de acidentes de automóveis. Todos os países desenvolvidos têm seguro obrigatório para terceiros porque parte-se do princípio que o automóvel é um bem "danoso", não apenas a pessoas que podem morrer ou ficar inválidas em acidentes provocados por motoristas mas também a bens materiais, explicam Paulo Eduardo de Freitas Botti e Luiz Roberto Latini, consultores da G5, empresa especializada em mercado segurador.

Botti e Latini têm uma visão radical a respeito do seguro obrigatório e uma proposta um tanto inusitada: aumentar o preço que se paga hoje dos atuais R$ 76 para R$ 200. A princípio pode parecer uma gozação. Mas não, o que eles propõem merece atenção. Em um amplo estudo sobre o tema, eles propõem o fim do DPVAT e a criação de um novo seguro obrigatório, acrescentando às coberturas de danos pessoais existentes hoje, a cobertura de danos materiais - daí porque o preço mais alto. Seria uma espécie de fusão do DPVAT com o seguro popular, regulamentado recentemente pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) para atender à população de baixa renda, mas que até agora não emplacou.

Além de dar fim ao DPVAT, a proposta deles é acabar também com o convênio que administra o seguro obrigatório e colocar a distribuição via mercado, na rede de corretores e bancos. Do ponto de vista de arrecadação, nada muda: a destinação dos recursos seria mantida para o SUS, a Susep e a Funenseg (fundação responsável pela formação e certificação de corretores de seguros) e sindicatos. Mas seria eliminada a participação de 2% das seguradoras. "A idéia é dar competição a esse novo mercado. Hoje as seguradoras ganham 2% mesmo sem fazer nada", diz Latini.

Do ponto de vista dos segurados, muda tudo. Hoje, enquanto todos os que têm carro registrado legalmente devem pagar o seguro obrigatório, estima-se que apenas 28% da frota de carros de passeio tem o chamado seguro do casco (opcional), que cobre danos ao automóvel em caso de incêndio, colisão, e também o roubo. A cobertura de RC para danos a terceiros, nesse caso, é facultativa.

Dentro do princípio do mutualismo que rege os seguros (um grupo de pessoas paga um pouco para constituir uma grande reserva e indenizar os possíveis sinistros), ao trazer para o mercado todos os 72% que só compram DPVAT, necessariamente o custo do seguro tende a baixar. Além de dar cobertura ao patrimônio de quem não tem dinheiro para comprar seguro (por isso só paga o DPVAT), o modelo sugerido pelos consultores traz uma melhora na qualidade da frota (as pessoas poderão consertar seus automóveis em caso de colisões). O resultado indireto será maior concorrência e, consequentemente, preços mais baixos.

Simulações feitas para o estudo da G5 mostram que custo médio de um seguro de automóveis é de R$ 1.258,78 (R$ 1.150 da cobertura de casco e RC facultativo mais R$ 76 do DPVAT). Botti calcula que, em um primeiro momento, esse valor poderia baixar para R$ 940,52 (R$ 740 do seguro mais R$ 200 do DPVAT).

E pode até baixar mais, à medida que o seguro obrigatório deixa de ser um mercado cativo, com remuneração fixa e garantida e passa a ser disputado pelo mercado. É uma opção, dizem Botti e Latini, à proposta de seguro popular que até agora não foi para a frente, por uma razão simples, segundo eles: é mais barato porque sua cobertura é limitada a roubo. "Limitar cobertura não vale", diz Botti.