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São Paulo, Wednesday, 27 de August de 2008



Fiança Locatícia - Informações sobre o Setor

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Ajustes necessários 

As garantias locatícias não se estendem somente às modalidades como fiador e depósito caução. O seguro fiança aumenta sua participação no mercado, mas ainda precisa resolver alguns entraves que barram seu crescimento no mercado. 

O mercado de fiança locatícia está dando sinais de retomada neste ano. Após as mudanças na Lei do Inquilinato, as seguradoras estão tentando cavar espaço para emplacar produtos voltados para garantir a segurança do aluguel. Na década de 90, algumas empresas trouxeram ao mercado produtos voltados para esse segmento. No entanto, tiveram dificuldade em abrir mercado, devido ao alto custo dos produtos. Anos se passaram e agora a realidade parece se mostrar positiva para as seguradoras. Diversas adequações foram feitas, novos produtos foram criados e hoje cerca de 9% dos imóveis (segundo dados do Secovi/SP) utilizam o seguro como forma de garantia da locação.

  A Lei do Inquilinato também é uma outra vitória do setor. De acordo com o artigo 37, são consideradas garantias legais: o fiador, a caução (depósitos) e o seguro fiança. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça também estabeleceu medidas a favor do fiador. A partir de agora, o fiador que tenha apenas um imóvel de família não poderá perdê-lo para salvar dívidas do locatário.

  De acordo com um levantamento de dados do Procon, não houve reclamações por parte do consumidor em relação ao seguro fiança nos últimos três anos. “O que nós percebemos é que o seguro fiança ainda não emplacou no mercado. Ainda existe uma preferência para depósito caução e para o fiador. No entanto, o que aparece de reclamação tem a ver com o depósito caução, ou a existência de um aluguel pendente ou reparos que têm que ser feitos e que são de responsabilidade do locatário”, pontuou Diógenes Donizete, técnico do Procon.

  Ainda existem alguns entraves enfrentados pelas seguradoras para expandir mais sua atuação no mercado de locação de imóveis. O seguro fiança é considerado caro e esbarra no problema da falta de conhecimento sobre a existência as regras do produto. “De quatro a cinco anos para cá, o mercado de seguro fiança se estabilizou. Hoje ainda não se tem uma grande procura, mas as seguradoras já registram lucro com a comercialização do produto. Houve queda na inadimplência, o que ajuda ainda mais na chegada de um momento mais positivo para este segmento.

Com o aumento das ofertas de imóveis novos, houve um achatamento na procura por aluguéis. Pessoas que alugavam, hoje podem ter casa própria. Infelizmente, atualmente a oferta é maior do que a procura.

A Cias avaliam que o mercado de seguro fiança sofre alguns períodos de baixa ao longo do ano. O início do ano normalmente representa uma época de boa safra para o mercado de seguro fiança. Pessoas que vem estudar em São Paulo intensificam a procura de imóveis para alugar. Já o período de abril a setembro, é um dos que parece que ninguém muda de casa. 

Pioneirismo 

Detentora de 90% do mercado de seguro fiança, de acordo com os dados da Susep, a Porto Seguro lançou seu produto em 1992 e obteve boas margens de crescimento a partir do Plano Real. “O que motivou o crescimento deste mercado foi o Plano Real, que propiciou um crescimento anual de 30% das vendas do produto. No entanto, em 2005 estamos colhendo nossos melhores resultados. Já registramos um crescimento acumulado de mais de 50% até o momento”, disse Luiz Henrique, gerente de ramos elementares da Porto Seguro.

  “O seguro fiança é considerado a melhor opção pelo mercado. Dentre seus benefícios estão a possibilidade de adiantamento para o locador ao longo da ação de despejo do locatário, assistência judicial ao locador, entre outros. Seus custos são calculados seguindo critérios regionalizados”, explicou Henrique.

  Indagado sobre o custo, Luiz apontou o oferecimento de cobertura completa como a principal arma do produto. “Se o valor do aluguel for de 500 reais, por exemplo, o locatário vai pagar o valor do seguro proporcional a um aluguel mais encargos ao ano. Esse montante, pode chegar a mil reais, parcelados em quatro vezes”.

  Segundo Henrique,, a comercialização do produto é feita através de corretores, tendo a imobiliária como interlocutora. “O seguro fiança é uma alternativa viável para pessoas que não tem um fiador ou até mesmo ficam constrangidas em  pedir que um membro da família ou até mesmo um amigo exerça esse papel. A cobertura do seguro é a garantia mais efetiva”.

  “Ainda esbarramos em diversas barreiras como a falta de conhecimento do produto por parte do consumidor e sua falta de divulgação como opção para a garantia do contrato de aluguel”,enfatizou Luiz. Para tentar ampliar a presença do seguro no mercado, a Porto Seguro está investindo em parcerias de patrocínio no mercado imobiliário e reforçando o trabalho de divulgação de seu produto através da sua equipe de promotores. 

 Revista Cobertura – Mercado de Seguros ( n° 48 )