Bradesco e Banco do Brasil estariam
interessados em adquirir a segunda maior seguradora do país
Quem acreditava que o setor de seguros se acalmaria depois da associação entre
Itaú Unibanco e Porto Seguro se enganou. Agora as atenções se voltam para a Sul
América, segunda empresa do ramo no país, alvo do interesse do Bradesco e do
Banco do Brasil. As negociações, divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo no
último sábado, fizeram as ações da seguradora subirem no pregão desta
segunda-feira (14). Às 12h02, os papéis da Sul América (SULA11) registravam alta
de 3,29%, negociados a 39,24 reais. No mesmo instante, o Ibovespa subia 0,13%,
aos 58.442 pontos.
Segundo o jornal, o grupo holandês ING, sócio da SulAmérica, teria interesse em
vender a participação direta de 21% na seguradora desde o início do ano para se
capitalizar e enfrentar dificuldades na Europa. O valor ainda está em
negociação. A aquisição da empresa seria especialmente interessante para o
Bradesco, que perdeu a Porto Seguro - a maior seguradora independente do país -
para o Itaú Unibanco no final de agosto. A assessoria de imprensa do Bradesco,
no entanto, diz que a "informação não procede".
A Sul América já é parceira do BB em alguns ramos de seguro. O banco planeja um
completo rearranjo do setor de seguros. Ele é minoritário em parcerias com a Sul
América na Brasilcap e na Brasil Saúde, com participações de 49,9% cada. Já na
Brasil Veículos, o BB tem 70% e a Sul América, 30%. A espanhola Mapfre fechou um
acordo com a Nossa Caixa, o banco estatal paulista comprado pelo BB, e também é
vista pelo mercado como uma potencial parceria do banco federal. Por meio de sua
assessoria de imprensa, o BB confirma apenas a reestruturação do setor, sem
mencionar parceiros específicos.
A venda de parte da Sul América confirma uma tendência do mercado brasileiro.
Como as possibilidades de elevar a carteira de crédito via grandes aquisições
estão praticamente esgotadas no Brasil, os bancos passaram nos últimos meses a
olhar com bastante carinho para o mercado de seguros. No Brasil, as seguradoras
não fazem oposição a essa "invasão" dos bancos porque, com as parcerias, elas
também ganham acesso aos clientes das instituições financeiras.